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sábado, março 13, 2004

From Logic to Uncertainty 

Num mundo estruturado, com regras bem definidas, do qual existem mapas rigorosos e no qual os acontecimentos são previsíveis, é possível recorrer à lógica. Mas por mais que se tente fazer isso com a humanidade, mais o futuro nos aparece difícil de antever.

É assim nos livros de inteligência artificial. E por vezes é assim na vida. A seguir à lógica, vem sempre o capítulo da incerteza.

quinta-feira, março 11, 2004

A Morte Saiu à Rua 

Nada pode justificar isto. Nada.

sexta-feira, fevereiro 27, 2004

Inovação e Empreendedorismo 

O Engenheiro Belmiro de Azevedo deu um "baile" a toda a gente na apresentação que fez a convite do GATS (Gabinete de Apoio às Transferências do Saber da Universidade de Coimbra). É tão bom saber que nem todos os empresários em Portugal se ficaram pela quarta classe! Gostei muito da separação empresário/empreendedor e do incentivo à mobilidade dos cientistas e à educação para o empreendedorismo. Muito provocador e cheio, muito cheio de razão.

O texto está aqui e vale bem os dois minutos que demora a ser lido.

terça-feira, fevereiro 24, 2004

Máscaras 



- Senhora de preto
diga o que lhe dói
é dor ou saudade
que o peito lhe rói
o que tem, o que foi
o que dói no peito?
- É que o meu homem partiu

Disse-me na praia
frente ao paredão
“tira a tua saia
dá-me a tua mão
o teu corpo, o teu mar
teu andar, teu passo
que vai sobre as ondas, vem”

Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?

{excerto de Pode Alguém Ser Quem Não É - Sérgio Godinho}

quarta-feira, fevereiro 18, 2004

Blurred monocular vision in unstructured outdoors environment 

[com um Nokia 7650]

segunda-feira, fevereiro 16, 2004

A Religião. O assunto proibido. 

Tanta gente se tem indignado com a proibição dos símbolos religiosos nas escolas francesas. Engraçado. O papel das religiões na sociedade aparece aqui e ali graças a assuntos cada vez mais patéticos. No último episódio que vi da excelente série de "girl's talk" "o sexo e a cidade" a personagem interpretado por Jessica Parker diz qualquer coisa do género: "a igreja está como uma mulher de 36 anos e solteira: para manter alguma popularidade tem que ser muito flexível". E no entanto aquilo que tenho visto é que ainda ninguém reparou na "flexibilidade" do governo vizinho:

from Única:
"No próximo ano as aulas de religião tornam-se obrigatórias em todos os escalões do ensino em Espanha, contando para a passagem de ano e, até, para o acesso à universidade."

Eu sou suspeito. Fui o único da minha sala da escola primária que não frequentei os escuteiros e a quem era dada a liberdade de ir ou não à catequese, de acreditar naquelas estórias ou de não acreditar. E sem me aperceber fiz, graças aos meus pais numa das acções que mais lhes agradeço, o meu caminho espiritual. Não acredito em Deus. Em qualquer Deus. Coitado! pensa a maior parte dos crentes que me lêem. Desculpem mas julgo que era impossível ser mais feliz. Não me sinto superior mas sinto-me livre. Livre de pensar pela minha cabeça, de acreditar naquilo que me apetece.
Como cientista, que me considero, não penso que haja qualquer compatibilidade adicional. Conheço grandes cientistas crentes, e grandes cientistas não crentes. Mas uma coisa vos digo. Eu não seria cientista, e muito menos o cientista esforçado, que considero ser, se não fosse a constante sensação de haver tanto por explicar. E desculpem-me os crentes, isto é algo que lhes está vedado. Existe explicação sem prova para tudo. Não é preciso ciência. Sublinho que este é o meu ponto de vista. Claro que existem esforços por compatibilizar a religião com a ciência. Mas continuo a acreditar que nada sabemos e que a religião, no que toca ao conhecimento, apenas segue e por vezes com demasiado atraso aquilo que se vai descobrindo por via científica (a história sublinha isto em diversas ocasiões). Mais grave do que nenhuma religião dentro da sala de aula é uma religião imposta!

Quanto ao que se veste na sala de aula, julgo que em Portugal temos um outro problema, não ligado à religião, que me parece muito premente. Refiro-me ao facto de haver meninos, filhos de pais com muito dinheiro e pouca aptidão para educar, a ir para a escola trajando "roupa de marca" o que cria a inevitável separação menino rico - menino pobre. Muitas vezes (não quero tentar quantificar mas são muitas, acreditem) isto faz com que muitos pais tirem do seu prato para vestir os filhos tentando disfarçar a marca de pobre que ostentam de nascença. Arrepiam-me as fardas mas acreditem que em algumas escolas... e se calhar até exportávamos a ideia. Se o governo Francês obrigasse ao uso da farda talvez não se ouvisse tanto banzé. Claro que não concordo com a imposição da nossa cultura aos imigrantes mas acreditem que me questiono sobre o que faria se me aparecesse uma aluna de véu sobre a cara invocando que isso é um símbolo religioso e truncando de forma radical uma das ferramentas essenciais para a comunicação no ensino: o contacto visual. Parece que de repente todos se esqueceram que quem vai para um país também tem que absorver a cultura deste e de a respeitar. E se esse país tem por hábito manter a laicidade das instituições estatais por que será que derrepente todos se apressam a criticá-lo. Será que preferem o ensino da teoria de Darwin explicado num quadro preto encimado por uma cruz? (grande ironia) Ou será que preferem que o ensino seja moldado por forma a ter influência religiosa? E a ser assim, de que religião? de todas? Ou só das que respeitam a igualdade entre sexos (risos)?

segunda-feira, fevereiro 09, 2004

Portugal - State of the art 

Nos últimos tempos tem-se assistido a um assalto do pensamento derrotista que tem como denominador comum a invasão ou anexação por Espanha. No expresso de há duas semanas (acessível aqui) pode ler-se a opinião do empresário José Manuel de Mello que diz que "o melhor é juntarmo-nos a Espanha. «Façamos a Ibéria»".

from expresso:
"JOSÉ Manuel de Mello, 76 anos, um dos mais conhecidos empresários nacionais, está profundamente pessimista em relação ao futuro do país. Não acredita «de todo» nos políticos e diz que os empresários «apenas gerem a dívida» - e alguns têm mesmo «a mão esquerda mais desenvolvida» por se terem habituado a receber os subsídios de Bruxelas."

Nessa mesma edição lia-se uma opinião do director ("ser português é muito perigoso") no sentido de mostrar que devemos ter consciência de que vamos ser absorvidos pelos espanhóis (esse monstro com garras que nos manda para cá a fruta de fraca qualidade e vem pescar nas nossas águas)... poupem-nos. O facto de sermos tão pouco competitivos levará invariavelmente a que sejamos absorvido por alguém. Quando é que chegrá a altura de nos apercebermos que os nossos imobilismos são feitios nossos, que não são defeitos dos outros? Como costumo dizer numa infeliz brincadeira, não fomos nós que expulsámos os espanhóis foram eles que se quiseram ir embora para não ter que aturar o nosso triste fado, este de ficarmos quietos à espera que alguém nos passe à frente, e depois de sermos ultrapassados por todos começarmos a cortar a casaca e arranjar culpados, muitos, e de preferência de fora (invasão de espanhóis, angolanos, ucranianos ou domínio do imperialismo americano, qualquer coisa serve). As questões que penso serem relevantes vêm depois publicadas sem que ninguém dê por elas outra vez no expresso, e logo duas numa só edição (a desta semana):

from expresso na página 3 do caderno de economia:

"Portugal ocupa a última posição no ranking do desenvolvimento empresarial da UE. Mas não só da velha Europa dos quinze, nem da nova Europa a 25. É da futura Europa a 27."
(...)
neste mesmo estudo:
"Portugal não tem um único ponto forte na UE a 27"

E como é claro a culpa da nossa desgraça daqui a dois ou três anos será do alargamento. Em assuntos como a I&D ficamos a 5 lugares do fim, em empreendedorismo, inovação, registo de patentes, novas tecnologias de informação e comunicações, ficamos sempre no fundo da lista.

Mas disse-vos que havia dois artigos não é?

Guardo o melhor para o fim, aqui vai a cereja em cima do bolo: no caderno de Emprego (o mais importante para uma grande percentagem da população):

from expresso na 1ª página do caderno de emprego em letras garrafais:

"Jovens rejeitam ciência"
(...)
"Entre 1998 e 2001, a procura de cursos nas áreas científicas diminuiu 4%"

quem diria que temos uma rede de 23 escolas a formar engenheiros ou com outros cursos técnico-científicos (a título de exemplo, a Suiça tem apenas duas escolas e ambas de referência a nível mundial). E ainda por cima deparo-me cada vez mais com o dilema de pessoas com mérito, que para poderem manter uma actividade de I&D em Portugal seguem a única via possível: dar aulas num politécnico (há muitos!) e manter um pézinho num laboratório universitário a fazer aquilo de que gosta e ao mesmo tempo a engordar o Curriculum de um qualquer catedrático. E o que é que a indústria portuguesa ganha com isto? Muitos engenheiros de pouca qualidade (que mesmo assim são em número insuficiente) e catedráticos com muito curriculum não me parece ser muito tentador para os investidores. E para os investigadores a única saída razoável é sair do país e procurar uma instituição nos EUA, Alemanha, UK ou Holanda onde possam sentir-se recompensados pelo seu esforço. Para quando os laboratórios associados? E que tal alguns politécnicos serem reconvertidos, e parcialmente entregues a cientistas a trabalhar muito próximo da indústria e dos investidores? Se isso for bem feito, nem são precisos investidores nacionais. Quando as ideias são boas o dinheiro vem de fora (ver p. ex. o inesc-mn). Claro que até lá, a malta vai saindo e como é óbvio, a culpa é toda dos Americanos que nos levam a massa cinzenta toda!


quinta-feira, fevereiro 05, 2004

A primavera, a invasão e os incêndios 

Acacia dealbata invasora muito perigosa.

O título deste texto está relacionado não só com o tempo que se tem feito sentir mas também com uma invasão. A natureza habitua-nos a certos ritmos e a certas cadências às quais ficamos ligados desde novos e que marcam a nossa relação com o espaço onde crescemos. Desde novo que estou habituado ao aparecimento pontual dessas árvores de flor amarela que brotavam antigamente em dois ou três pontos muito contidos no matagal. E quando digo antigamente, não pensem que tenho 50 anos... estou a referir-me aos anos 80. Era raro, muito raro ver-se brotar uma acácia (ou mimosas como alguns lhes chamam). Trata-se de uma espécie exótica que foi introduzida em portugal de forma artificial (penso que para fins decorativos). No entanto, as suas características que estão adaptadas aos habitats de origem no Sudeste da Austrália e Tasmânia têm um impacto extremamente negativo devido ao rápido crescimento e disseminação. Após um incêndio as suas sementes, que estão espalhadas por toda a parte pois são muito leves, são as primeiras a brotar e fazem-no com uma grande velocidade inicial o que por sua vez cria sombra dificultando a progressão às espécies anteriormente dominantes. Acontece que agora estão literalmente em toda a parte. O impacto não se dá só ao nível da mera substituição da espécie mas tem consequências mais profundas como a de estas não garantirem que o suporte dos terrenos se dê da mesma forma.

Acacia mearnsii invasora perigosa.

Existe um projecto, o INVADER (INVasion AnD Ecosystem Restoration) que pretende estudar algumas interacções destes fenómenos nos sistemas dunares de algumas espécies invasoras. Aqui pode encontrar-se alguma informação que nos permite ter a noção de que existem cerca de "500 espécies exóticas subespontâneas, das quais 37 são consideradas “invasoras muito perigosas”, 56 “invasoras perigosas” e 104 “eventualmente invasoras”". O site está cheio de boas fotografias como as que aqui reproduzo.

quarta-feira, janeiro 28, 2004

Mentes Obscuras - II 

É possível que por vezes as pessoas sejam apanhadas a falar sobre coisas nas quais nem sempre estão completamente à vontade. Existem dois ou três assuntos recorrentes, normalmente associados a hobbies (e.g. conhecimento e apreciação de vinhos), à ciência (e.g. quando se fala na mesa do café sobre as últimas teorias da física) ou, o que está na moda ultimamente, falar sobre o nosso sistema legal a propósito de tudo e de nada. A envolvente ajuda. Tudo é tratado como se se tratasse de assunto futebolístico. Ninguém sabe mas o que é preciso é ter opinião. É típico em alguns dos nossos jornalistas pedirem opiniões a pessoas que realmente estão dentro do assunto, que passaram a vida a debater-se sobre um determinado assunto e a estudá-lo como por exemplo "esta senhora que está aqui a entrar no hipermercado: diga-nos por favor qual é a sua opinião acerca da possibilidade de variarmos o valor de PI?"

Claro que a senhora sendo uma perita na matéria deveria responder: "Senhora jornalista: desde que o elemento geométrico a que nos estamos referir seja efectivamente uma circunferência o valor de PI (que como é sabido é utilizado em cálculos associados a circunferências por exemplo na trigonometria) é constante no valor de 3.1415926..., agora se não se importa vou andando que tenho que ir aqui comprar uns bróculos para acompanhar o peixe cozido ao jantar."

E claro que não é isto que acontece. Normalmente ouvem-se as maiores alarvidades ditas como certezas para uma audiência sedenta de cultura científica. Neste caso estou a referir-me a uns ecos que andam para aí de mais um mito introduzido por esse, ele próprio um mito, Boaventura Sousa Santos (conhecido por BSS). Este senhor demonstra aqui e ali em alguns dos seus escritos, pretender entrar pelo mundo da ciência a dentro e partir aquela porcaria toda.... Agora, parece que lançou mais um livro que conta com intervenção de alguns "astros" (ver o post do Alex de 22 de Janeiro) .

Uma tal senhora antropóloga Fugimura afirma do alto da sua sapiência (do post do Alex): «O valor do perímetro do círculo unitário (ou Pi) mudou». E continua: «Pode ser diferente de 3,14159... e é um dos mais interessantes temas de estudo da geometria pós-euclediana».

Diz ainda que o valor de Pi varia no tempo, dizendo que o valor de Pi foi refutado há 170 anos pelas geometrias não euclidianas.

E digo eu: A senhora Fugimori não quererá antes opinar sobre futebol? E que tal uns bróculos para o jantar? E olhe! Coma-os com um peixinho cozido, porque a carne de vaca nos EUA também não é de confiar! Já lá chegou aquela doença que tivemos por cá! A BSS claro está!

quinta-feira, janeiro 22, 2004

Mentes obscuras 

Por vezes cruzamo-nos com cada obra! Veja-se aquilo em que algumas pessoas trabalham com afinco e dedicação (não quero sequer imaginar quantas horas...). Existe um concurso internacional no qual o objectivo é apresentar código de programação em C escrito da forma mais obscura possível. Ou seja, aquilo que se aprende nos bancos da escola (que a programação deve ser estruturada e fácil de ler por terceiros - excepto claro está - se houver aqui e ali necessidades excepcionais em termos de optimização da velocidade de execução) é para esquecer! O que interessa é pôr a imaginação a trabalhar no que menos interessa! Mas que os há, há e admitamos que alguns permitem bons momentos de um misto de riso e perplexidade. Vejamos, há de tudo: desde o simples "hello world" (programa que é utilizado como exemplo muito simples para permitir a quem nada percebe de uma linguagem de programação ter algum feed-back de um programa que normalmente se escreve em três linhas com uma estrutura clara), aqui escrito de uma forma imperceptível, até ao belíssimo programa cujo código consiste na troca de cartas entre um casal desavindo e uma vez compilado executa aquilo que habitualmente se faz com um malmequer ("bem me quer, mal me quer") do qual reproduzo apenas uma pequena parte (para ver a totalidade ir a http://remus.rutgers.edu/~rhoads/Obfuscated_C/westley.hint):
"
dear; (char)lotte--;

for(get= !me;; not){

1 - out & out ;lie;{

char lotte, my= dear,

**let= !!me *!not+ ++die;

(char*)(lie=


"The gloves are OFF this time, I detest you, snot\n\0sed GEEK!");

do {not= *lie++ & 0xF00L* !me;

#define love (char*)lie -

love 1 *!(not= atoi(let

[get -me?

(char)lotte-


(char)lotte: my- *love -

'I' - *love - 'U' -

'I' - (long) - 4 - 'U' ])- !!

(time =out= 'a'));} while( my - dear

&& 'I'-1l -get- 'a'); break;}}

(char)*lie++;
"
E isto compila! Com um warning. O autor diz com algum humor que isto é a prova de que é possível escrever C em linguagem natural. Mas o mais divertido vem quando o autor descreve os warnings típicos com certos compiladores, como por exemplo ""warning: eroticism unused in function main" ou "(char)lotte and (char*)lie are incompatible types"

Mas a web está repleta destes exemplos. Para quem gosta de programar existem exemplos ainda mais rebuscados e obscuros como aquele programa cuja função é executar a inversão de linhas e de colunas de um determinado texto com a curiosidade de que fazendo correr o programa sobre o seu próprio código fonte, é gerado um código com a mesma função do código original. Muitíssimo obscuro e acima de tudo um exercício notável da mente humana. Para quem tiver talento e tempo para dedicar a este concurso a informação pode ser consultada aqui: http://www.ioccc.org/.

quarta-feira, janeiro 14, 2004

A investigação 

A nossa ministra da Ciência e Ensino Superior deu uma pequena entrevista ao Expresso desta semana na qual dizia que pretendia criar a carreira de Investigador (ora, onde é que eu já ouvi isto?). Ainda assim, parece-me que o vamos continuar a ouvir por muitos e bons anos. Tenho a leve impressão que a actual política que permite que em muitos sítios seja possível contratar bolseiros para fazer o "dirty work" permitindo aos Professores Universitários progredirem à custa de ganharem um projecto aqui e ali e pagarem as bolsitas (e ainda viajam um bocado) interessa a muita gente. É bom ver que a Dra. Graça Carvalho quer ver a Indústria a contribuir e usufruir da investigação que por cá se pode vir a fazer. Esperemos que não seja apenas mais uma entrevista. Devo sublinhar que a situação que descrevo, não é, por aquilo que sei, generalizada, contudo existe e é muito difícil de corrigir! Venha a carreira de investigador e que se aproveite para tentar corrigir essas pequenas distorções do sistema.
Outra questão engraçada foi ver os opinion makers do fim-de-semana a falar das missões a Marte. Ouvi dois: Pacheco Pereira, e Marcelo R. Sousa. O primeiro conseguiu de forma notável, falar de forma segura sobre o assunto, contornando elegantemente o facto de os cientistas ouvidos até agora contestarem de forma veemente o programa apresentado pela Casa Branca, por considerarem ser um disparate enviar homens para o espaço só porque sim (ou porque com promessas dessas as eleições estão ainda mais no papo). O segundo deixou a ideia de que "a América é que é" e de que os europeus não possuem know-how para levar a cabo esta missão. Caro Marcelo: o orçamento da Spirit ($135M) dava para pagar duas missões a Marte como aquela em que se perdeu a Beagle2 e em que se colocou um satélite em torno de Marte: a Mars Express (€52,5M). Realmente Prof. Marcelo, alguns europeus não possuem o know-how suficiente para fazer certas coisas como por exemplo, fazer comentários em televisão.

Entretanto tem-se ouvido falar das contribuições de Portugal para a dita missão. A importância da ESA para a ciência e para o desenvolvimento tecnológico começa, felizmente a fazer-se notar por aqui. Aqui e ali surgem projectos tanto de investigação pura como de investigação aplicada. O último de que tive conhecimento poderá vir a ter uma aplicação fascinante: a criação de um telescópio de grande abertura, para funcionar em órbita, utilizando para isso um conjunto de satélites a funcionar em formação (ver página de projectos do laboratório de sistemas inteligentes do ISR-Lisboa que está responsável pelo desenvolvimento de alguns algoritmos de controlo de formação).

terça-feira, janeiro 06, 2004

Pede-se aos pais da menina Teresa Martins, o favor de se dirigirem ao balcão de informações 

Lembram-se de quando éramos novos? De olhar em frente e só ver pernas? De num local público, à primeira sensação de falta dos pais, sentir uma falta de força nas pernas, um aperto no tórax, e as lágrimas a querer jorrar detrás dos olhos, tudo fruto do pânico causado pela solidão? Esta é uma das visões mais poéticas que têm descrito a situação da sonda Beagle 2 sozinha sem conseguir "falar" com ninguém deste lado. Aquela que me parece ser a derradeira tentativa de contacto vai dar-se amanhã:

From ESA
"An attempt will be made to contact Beagle 2 via Mars Express on 7th January 2004 at about 12:15 GMT. Results should be available by 15:00 GMT."

Entretanto a NASA colocou o primeiro dos dois rovers em Marte, o Spirit que já mandou postais. Nota-se claramente um amadurecimento da tecnologia utilizada neste tipo de missões por parte da agência espacial norte-americana.



sábado, janeiro 03, 2004

Here is the bothering time scale again 

O fim de ano em Coimbra foi comemorado com um brinde monumental. Dei por mim na Praça da República a olhar para cima maravilhado com o tradicional fogo de artifício começado às 0 horas do dia 1 de Janeiro do novo ano. A questão que pus a mim próprio naqueles momentos foi: será que os humanos têm uma necessidade séria da imposição de um ritmo temporal? É natural que haja uma explicação na história da evolução para que exista esta noção de escala temporal. Percebe-se intuitivamente que o ritmo que a natureza impõe com mais veemência é o da passagem das estações, bastante importante para a humanidade desde o início das actividades agrícolas (há aproximadamente 10000 anos). No entanto a que se deve a semana de sete dias?

Mas para além do número de dias por semana, pergunto-me se existirá uma necessidade inacta da celebração da passagem do tempo, da existência de um momento de revisão de acontecimentos, do balanço? Será que interiorizámos essa necessidade nos nossos genes?

Para minha surpresa descobri mais tarde que o facto de a semana ter sete dias é herdado dos Romanos que decidiram criar esta com um número de dias igual ao número de planetas conhecidos somando-lhe o Sol e a Lua (ver este site). Sublinho a seguinte passagem:
"The first thing to understand is that a week is not necessarily seven days. In pre-literate societies weeks of 4 to 10 days were observed; those weeks were typically the interval from one market day to the next. Four to 10 days gave farmers enough time to accumulate and transport goods to sell. (The one week that was almost always avoided was the 7-day week -- it was considered unlucky!) The 7-day week was introduced in Rome (where ides, nones, and calends were the vogue) in the first century A.D. by Persian astrology fanatics, not by Christians or Jews.". Notável o facto de a semana de sete dias não ter na sua origem qualquer relação com a cultura Judaico-Cristã!

No entanto continuo sem conseguir arranjar uma explicação plausível para que o festejo do fim de ano se tenha generalizado desta forma, ainda por cima numa data que julgo não ter qualquer significado astronómico, ao contrário dos solestícios pela sua importância para a agricultura.

O facto de há algumas centenas de anos se celebrarem os solestícios e de esses festejos terem desaparecido dando lugar aos festejos de fim do ano, mostra bem não haver uma associação inacta a uma data, estação ou fenómeno natural. Existe sim a necessidade de um festejo que marque o andar do tempo. Seja este mais ou menos frequente, de celebração mais ou menos profunda, as sociedades necessitam de um relógio que as sincronize que lhes diga: "parem todos! Vejam os que fizemos todos nos últimos tempos! É assim que queremos continuar?".

Bom ano a todos!


segunda-feira, dezembro 29, 2003

Poluição dentro de nós 

Longe vai o tempo em que os problemas da poluição eram gritados aos sete ventos por indivíduos mais ou menos conscientes da necessidade de cuidar do meio ambiente que eram na generalidade olhados de lado. Julgo que agora a preocupação é geral. Mas se calhar vai existir um atraso grande demais na recuperação do tempo perdido. A poluição hoje em dia é monitorizável na generalidade dos corpos humanos. Anexo algumas frases interessantes tiradas deste artigo da Associated Press acerca de algumas medições feitas em humanos.

"California researchers reported that San Francisco-area women have three to 10 times as much chemical flame retardant in their breast tissue as European or Japanese women."

"(...) levels in Indiana and California women and infants were 20 times higher than those in Sweden and Norway, which recently banned flame retardant."

"(...) Mexican-American children were found to have three times the amount of a chemical derived from DDT compared with other children."

Para os resultados completos poderão consultar: http://www.bodyburden.org/ .


terça-feira, dezembro 23, 2003

As Pazes da Quadra 

A pergunta que me fiz ao ler o texto do Porfirio Silva foi: este homem não está bom da cabeça... Então porque diabo havia eu de ficar de alguma forma chateado por causa da alguém querer homenagear a genialidade de Turing escrevendo sob a sua sombra? Força para a máquina. Eu vou recolher aos doces (aquilo que um ateu vê no Natal é muito mais do que isto, claro, mas para já é do que me lembro... acho que não almocei). Entretanto esperemos que as habituais duas semanas de ritual de passagem que fazem com que o país ande dormente até lá para 6 ou 7 de Janeiro, não nos façam esquecer que continuamos a gerar números tão deliciosos (estou a ser irónico...) como os que são divulgados neste artigo na TSF. Já agora para alegrar o ramalhete lembrem-se dos hectares ardidos, e do incrível esforço que se está a fazer para não mexer uma palha em relação à floresta (mas garanto-vos que este ano se vão escrever mais relatórios!)... já que os militares da GNR veem mais cedo porque não aproveitar as capacidades inquestionáveis destes homens em operações em terreno difícil e onde sobra pouca esperança e pô-los a limpar mata em qualquer localidade no interior de Portugal. Já agora, que levem também um pouco do bacalhau que sobrar da sua farta ceia no Iraque, pois com o preço a que ele está (e até se compreende é só ver este artigo no público) a população do interior, que numa grande percentagem teve hoje essa grande notícia de enorme relevo (irónico outra vez...) o seu poder de compra foi aumentado em 0.5 % não vai sequer poder prová-lo.

Boas Festas a todos!

quinta-feira, dezembro 18, 2003

No ar, a levitar 

Esta Quarta-feira fez 100 anos que os irmãos Wright conseguiram o notável feito de colocar um engenho fabricado por humanos, a levitar, suspenso, no ar. Da Vinci pensou eles executaram, e o mundo pula e avança.


E avança até longe para lá de onde a vista alcança. Encontros ou aproximações com pequenos corpos celestes. Que motivações?

- Investigação da existência de possíveis compostos que possam ter estado na origem de vida na Terra.
- Investigação da constituição destes corpos.
- Incremento do know-how no sentido de capacitar a humanidade de ferramentas que permitam a destruição ou mudança de trajectória de objectos em potencial rota de intersecção com a Terra.

Detalhes importantes da implementação:
- Controlo apertado de órbita;
- Resistência a enormes amplitudes térmicas (trajectórias passam perto e longe do sol antes de entrarem em rota de intersecção com a trajectória do objecto alvo);
- Total desconhecimento da constituição do corpo (tanto química como da sua configuração física - pode ser constituído por aglomerados granulosos, corpos rochosos ou lamas) o que levanta problemas tanto na aproximação e fixação ao objecto, como na concepção dos sistemas de recolha de amostras.
- Missões de custos muito reduzidos.
- Aproximações a estes corpos envolverão sempre choques (embora a baixa velocidade) com partículas libertadas pelo corpo o que consiste em mais um problema na construção do corpo da sonda, bem como na protecção dos painéis solares.

Neste âmbito destaquem-se três missões:

NEAR - Near Earth Asteroid Rendezvous (NASA) - encontro com os asteróides Eros e Shoemaker.

"On Monday, 12 February 2001, the NEAR spacecraft touched down on asteroid Eros, after transmitting 69 close-up images of the surface during its final descent."

Muses-C (Japão) pretende analisar a constituição do asteróide 1998-SF36

"Japan launched its MUSES-C interplanetary probe on May 8, 2003, to fly 186 million miles across the Solar System to asteroid 1998-SF36, and return to Earth with a sample of the soil found there. Falcon, if successful, will be the first probe to make a round trip to an asteroid. NASA's Eros probe collected data for two weeks from the surface of the asteroid Eros in 2001, but did not return to Earth with samples. NASA's Stardust probe is on its way to visit Comet Wild-2 in January 2004 and return samples to Earth. That package will parachute into Utah in January 2006."

Rosetta (ESA) pretende analisar a constituição e a dinâmica do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko

A ser lançado no ínicio de 2004 deverá demorar dez anos até ao encontro. Pretende fazer um estudo da dinâmica do cometa na aproximação e afastamento do Sol.

"To study the origin of comets, the relationship between cometary and interstellar material and its implications with regard to the origin of
the Solar System. The measurements to be made to achieve this are:

* Global characterisation of the nucleus, determination of dynamic properties, surface morphology and composition;
* Determination of the chemical, mineralogical and isotopic compositions of volatiles and refractories in a cometary nucleus;
* Determination of the physical properties and interrelation of volatiles and refractories in a cometary nucleus;
* Study of the development of cometary activity and the processes in the surface layer of the nucleus and the inner coma (dust/gas interaction);
* Global characterisation of asteroids, including determination of dynamic properties, surface morphology and composition.
"

E vamos certamente continuar a voar cada vez mais além.



sábado, dezembro 13, 2003

Free Surface Plot 

As maravilhas do open source. Preciso de fazer umas representações gráficas algo complexas para analizar um conjunto de variáveis espaciais em tempo real. O que é que se faz em tal situação? Siga este simples tutorial e mudará a sua vida:

1.º passo: sourcefourge.net;
2.º passo: ficar completamente abismado com os projectos disponíveis e a qualidade dos screenshots conseguidos;
3:º passo: fazer o download e começar a fazer testes com o código descarregado;
Nota importante: Caso introduza alterações que possam ser consideradas melhorias, submeta a sua versão ao gestor do projecto.

E já está! Obrigado por contribuir para um mundo melhor e volte sempre!


Imagem pertencente à galeria do projecto qwtplot3d (open source para Linux e Win).

quinta-feira, dezembro 11, 2003

eXistenZ 

Each living being has one of his own.

Espaços e Funções 

Tenho uma paixão por arquitectura. A última vez que me pus à procura de coisas sobre arquitectura na web dei com um blog excelente (parece-me que é mais um de Coimbra). Os seus textos, fotografias e links valem bem a pena. Desenhar o mundo está em http://alapiseira.blogs.sapo.pt/.

quarta-feira, dezembro 10, 2003

A Europa em Marte 

Entretanto a sonda Mars Express já está a "apenas" 5.5 milhões de kilómetros de Marte. Já há fotografias (adquiridas com o módulo HRSC - High Resolution Stereo Camera):


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