Quinta-feira, Novembro 27, 2003
Ecos
O cidadão do mundo tem um post interessantíssimo sobre o porquê da especificação da bitola no caminho de ferro norte americano... leitura obrigatória para percebermos como a técnica de hoje tem por vezes influências de civilizações com mais de 2000 anos.
Terça-feira, Novembro 25, 2003
A corrida à célula
Uma das justificações que Damásio aponta no seu último livro, para que um dispositivo artificial não possa ter sentimentos (pelo menos daqueles qua associamos aos sentimentos de tristeza ou felicidade), é a baixa complexidade destes. Aponta mesmo o caso de uma aeronave Boeing para mostrar que compreende que existem já dispositivos artificiais muito complexos mas de seguida descreve um pouco da complexidade do corpo humano, mostrando com bastante clareza que cada célula do corpo humano é um agente, e esses milhões de agentes contribuem para a formação de um padrão de actividade neuronal que corresponde a um determinado sentimento.
Acontece que ainda não existe a célula. Mas há gente a trabalhar nisso. Vou dar dois exemplos. Um de baixo para cima e outro de cima para baixo. O primeiro: vírus artificial. Especula-se há algum tempo e agora está mais perto do que nunca. Claro que é um organismo muito menos complexo do que uma célula. Mas está no bom caminho.
De cima para baixo temos o exemplo dos gastrobots. Robôs que são capazes de extraír energia de alimentos biológicos (normalmente a partir da oxidação da glucose). Lá pelo meio está a célula, um sistema que contém em si vários sub-sistemas, que se autorepara, organiza e auto-regula extraindo energia da mesma glucose. Definitivamente estamos muito longe de conseguir conceber o que quer que seja com a complexidade de uma célula quanto mais com complexidade suficiente para ter sentimentos.
Acontece que ainda não existe a célula. Mas há gente a trabalhar nisso. Vou dar dois exemplos. Um de baixo para cima e outro de cima para baixo. O primeiro: vírus artificial. Especula-se há algum tempo e agora está mais perto do que nunca. Claro que é um organismo muito menos complexo do que uma célula. Mas está no bom caminho.
De cima para baixo temos o exemplo dos gastrobots. Robôs que são capazes de extraír energia de alimentos biológicos (normalmente a partir da oxidação da glucose). Lá pelo meio está a célula, um sistema que contém em si vários sub-sistemas, que se autorepara, organiza e auto-regula extraindo energia da mesma glucose. Definitivamente estamos muito longe de conseguir conceber o que quer que seja com a complexidade de uma célula quanto mais com complexidade suficiente para ter sentimentos.
Quarta-feira, Novembro 19, 2003
Portugal e a escala dos nanos
No fim-de-semana passado, participei num encontro nacional de pessoas interessadas nas micro e nanotecnologias. Fiquei espantado com a quantidade de trabalho que anda entre nós mas de que pouco de ouve falar. Dois trabalhos claramente a destacar: Universidade do Minho com uma matriz para a gama dos raios X (ver p.ex. este artigo) e o inesc-mn acerca do qual fiquei a saber que colaboram com algumas marcas de discos rígidos (e.g. Seagate) no desenvolvimento de cabeças de leitura o que faz deles auto-suficientes e que para além disso (graças à capacidade instalada) fazem muito trabalho pioneiro na área dos micro-biosensores.
Sábado, Novembro 15, 2003
A liberdade científica, a televisão e os apagões
Existe uma onda de opinião, vinda provavelmente de mentes ligadas à economia e/ou política que pretende aplicar à investigação as mesmas leis de eficiência que se aplicam aos empregados de balcão dos bancos. Ou seja, a investigação científica tem que gastar pouco, e produzir muito (o que quer que isso seja...) e já agora produzir coisas que nos dêem protagonismo imediato (quiçá uma entrevista no telejornal das 20h na SIC generalista). Generalizou-se a ideia de que a ciência tem que contribuir directamente para o benefício das pessoas e sociedade. Acontece que esta linha de raciocínio é a mesma que faz com que em portugal se prefira apagar fogos a preveni-los.
Vou mostrar-vos o que quero dizer com esta introdução algo azeda com base num exemplo:
Harold Kroto químico da Universidade de Sussex no Reino Unido, ganhou o Nobel da Química pela descoberta e sintetização de uma nova molécula, o Buckmisterfulereno. Trata-se de uma molécula composta por 60 átomos de carbono com uma forma muito peculiar (que lhe deu o nome devido à semelhança com o pavilhão desenhado por Buckmister Fuller para o pavilhão dos EUA na Expo67 em Monreal). Mas Kroto não fez apenas isto. Contribuiu com trabalhos muito relevantes na química do fósforo, cadeias longas de carbono (que se vieram a revelar importantes na astrofísica na compreensão do meio interestelar). E isto tudo com uma atitude de perfeito míudo curioso, que não consegue antes demais explicar porque é que faz o que faz (algo que choca muita gente, mesmo dentro da comunidade científica: fazer algo sem se conseguir explicar porque é que se faz). O próprio cita por exemplo uma frase de J. Tolkien: "Nem todos os que se perdem, estão perdidos".
Notável é que a partir da descoberta da molécula de Buckmisterfulereno, esta também feita por mera curiosidade ("estava a tentar simular as condições numa estrela de carbono gigante vermelha") se tenha chegado a uma das áreas mais promissoras das ciências aplicadas de hoje: os nanotubos. Desde a sua utilização como supercondutores até à possibilidade da sua aplicação em cromatografia, passando espantem-se, pela televisão. Ora, quando se fala em televisão, normalmente a terra abana. Nos EUA é um mercado que vale 12.000 milhões de dólares (dados da CEA).
O que se passa neste momento com o mercado das televisões, é que os produtores de ecrãs plasma, querem convencer o mundo que aquela é a tecnologia final! Ninguém entrevê a partir da publicidade a estes equipamentos, que mesmo aqueles que custam cerca de 5000 Euros, têm uma certa tendência para a distorção cromática. No entanto, o dado mais preocupante, também convenientemente ocultado das campanhas de publicidade é que um destes ecrãs, consome uma potência extremamente elevada (cerca de 700 W) o que é comparável a e.g. uma máquina de lavar. Nas sociedades actuais este dado torna-se ainda mais num problema quando a maior parte das famílias vê cerca de 4 horas de televisão diariamente (claro que nos EUA é mais). Assim, a juntar às causas naturais e aos picos de consumo de verão (com os aparelhos de ar condicionado) e de inverno (com os aparelhos de aquecimento), as distribuidoras de energia eléctrica têm com que se preocupar para evitar novos apagões, causados pelos aparelhos de televisão! E aqui entram novamente os nanotubos:
Foto de um subpíxel (cada píxel é composto por três - Vermelho, Verde e Azul - as cores básicas do sistema RGB).
Estão já desenvolvidos os primeiros ecrãs planos baseados nesta tecnologia (ver e.g. a revista IEEE spectrum de Setembro). Permitem uma qualidade de imagem superior à alcançada pelos ecrãs plasma e a parte melhor, à custa de consumos energéticos que quando comparados com os anteriores só podem ser considerados residuais (ou seja apresentam uma eficiência muito superior). É o que dá deixarem que os cientistas trabalhem de forma tão ineficiente...
Vou mostrar-vos o que quero dizer com esta introdução algo azeda com base num exemplo:
Harold Kroto químico da Universidade de Sussex no Reino Unido, ganhou o Nobel da Química pela descoberta e sintetização de uma nova molécula, o Buckmisterfulereno. Trata-se de uma molécula composta por 60 átomos de carbono com uma forma muito peculiar (que lhe deu o nome devido à semelhança com o pavilhão desenhado por Buckmister Fuller para o pavilhão dos EUA na Expo67 em Monreal). Mas Kroto não fez apenas isto. Contribuiu com trabalhos muito relevantes na química do fósforo, cadeias longas de carbono (que se vieram a revelar importantes na astrofísica na compreensão do meio interestelar). E isto tudo com uma atitude de perfeito míudo curioso, que não consegue antes demais explicar porque é que faz o que faz (algo que choca muita gente, mesmo dentro da comunidade científica: fazer algo sem se conseguir explicar porque é que se faz). O próprio cita por exemplo uma frase de J. Tolkien: "Nem todos os que se perdem, estão perdidos".
Notável é que a partir da descoberta da molécula de Buckmisterfulereno, esta também feita por mera curiosidade ("estava a tentar simular as condições numa estrela de carbono gigante vermelha") se tenha chegado a uma das áreas mais promissoras das ciências aplicadas de hoje: os nanotubos. Desde a sua utilização como supercondutores até à possibilidade da sua aplicação em cromatografia, passando espantem-se, pela televisão. Ora, quando se fala em televisão, normalmente a terra abana. Nos EUA é um mercado que vale 12.000 milhões de dólares (dados da CEA).
O que se passa neste momento com o mercado das televisões, é que os produtores de ecrãs plasma, querem convencer o mundo que aquela é a tecnologia final! Ninguém entrevê a partir da publicidade a estes equipamentos, que mesmo aqueles que custam cerca de 5000 Euros, têm uma certa tendência para a distorção cromática. No entanto, o dado mais preocupante, também convenientemente ocultado das campanhas de publicidade é que um destes ecrãs, consome uma potência extremamente elevada (cerca de 700 W) o que é comparável a e.g. uma máquina de lavar. Nas sociedades actuais este dado torna-se ainda mais num problema quando a maior parte das famílias vê cerca de 4 horas de televisão diariamente (claro que nos EUA é mais). Assim, a juntar às causas naturais e aos picos de consumo de verão (com os aparelhos de ar condicionado) e de inverno (com os aparelhos de aquecimento), as distribuidoras de energia eléctrica têm com que se preocupar para evitar novos apagões, causados pelos aparelhos de televisão! E aqui entram novamente os nanotubos:
Foto de um subpíxel (cada píxel é composto por três - Vermelho, Verde e Azul - as cores básicas do sistema RGB).
Estão já desenvolvidos os primeiros ecrãs planos baseados nesta tecnologia (ver e.g. a revista IEEE spectrum de Setembro). Permitem uma qualidade de imagem superior à alcançada pelos ecrãs plasma e a parte melhor, à custa de consumos energéticos que quando comparados com os anteriores só podem ser considerados residuais (ou seja apresentam uma eficiência muito superior). É o que dá deixarem que os cientistas trabalhem de forma tão ineficiente...
Sexta-feira, Novembro 14, 2003
God Speed You Brown Kid
Após a tempestade vem sempre ... Bem, após a pausa do teste de Turing aqui está ele de novo, com energia renovada. Vejamos: hoje fui ao TAGV assitir a um concerto de Carl Hancock Rux (acerca do qual muito se tem escrito como se tem escrito de outros - mas acreditem, foi inesquecível! - o puto interiorizou muito do Jazz e do Bronx e isto nota-se em cada nota). Tenho estado a ler atentamente o último livro do Prof. Damásio e com base neste devo dizer que o Brown Kid do Bronx causou em mim uma emoção que por sua vez causou um sentimento de energia renovada! E acreditem que não fui só eu a deixar o conforto das cadeiras para me pôr aos saltos...